Em tempos incertos, minimizar riscos é importantíssimo! Por isso, validar de forma rápida e barata a proposta de valor do negócio é o básico para sobreviver. Nesse post, você vai conhecer quais são e como funcionam os 5 principais modelos de MVP utilizados pelas startups.

Desenvolver uma startup é algo bastante arriscado e incerto. O ecossistema de startups é um mar bastante turbulento. Segundo o levantamento realizado pela CBInsights, 42% das startups fracassam por não conseguirem identificar uma real necessidade de mercado. Elas até apresentam soluções, mas que não são aderentes às dores e aos chamados “jobs to be done“. 

É muito importante desenvolver soluções que sejam, de fato, soluções para as dores e ou necessidades de alguém. Em tempos incertos, minimizar os riscos de um novo negócio é uma questão crucial, pois gastar todos os recursos de uma só vez implica em não ter recursos para recomeçar ou pivotar.  

Ou seja, validar a proposta de valor da sua iniciativa ou trazer indícios de validação rapidamente, antes de investir grandes quantias no desenvolvimento de um novo produto, é fundamental. 

O que é e qual o significado de MVP?

MVP é a sigla para Minimum Viable Product, que significa Produto Mínimo Viável. O MVP é uma versão simplificada do produto (por isso “minimo”) que demonstre suas funcionalidades básicas (por isso “viável”).

Segundo Eric Ries, autor do livro Lean Startup, Startup Enxuta, a criação do MVP permite validar as hipóteses de negócio no mercado. Assim, pode-se testar junto aos consumidores uma versão de baixo custo do produto de maneira a evitar desperdícios de recursos. 

A ideia central do MVP é começar rápido – dessa forma, você pode aprender o quanto antes qual é o produto ou feature com maior fit para seu cliente. Assim, além de validar hipóteses, o MVP permite o crescimento e o desenvolvimento sustentável do produto ou da iniciativa.

Nesse post, você vai conhecer quais são e como funcionam os 5 principais modelos de MVP utilizados pelas startups ao redor de todo mundo. Além disso, vai entender qual o melhor modelo para a sua proposta de solução. 

Boa leitura!

5 tipos de MVP mais utilizados pelas startups

1. MVP Concierge

O MVP Concierge (recepcionista) simula processos em um nível manual, sem o produto pronto e codado. O atendimento ao cliente, por ocorrer através de contato humano, entrega a proposta de valor de forma personalizada, mas impossibilita que o negócio escale. O objetivo é ouvir os potenciais usuários de forma a validar (ou não) hipóteses de soluções e receber feedbacks.

Esse modelo de MVP reduz radicalmente os custos de investimento no desenvolvimento do produto. Além disso, permite levantar dados e informações sobre as necessidades objetivas dos clientes, auxiliando na identificação da melhor solução. Dessa maneira, é possível ajustar a proposta do negócio a um formato mais adequado às suas dores. 

É importante manter-se atento durante a execução dos processos. Caso o MVP Concierce seja direcionado a uma solução pré-definida, pode-se obter uma falsa sensação de validação, pois não será baseado em um feedback real e efetivo.

Caso os resultados obtidos pela experiência não sejam favoráveis, os empreendedores podem pivotar o seu negócio. Assim, eliminam o risco de investir num modelo de negócios que não trará retorno. 

Resumo MVP Concierge

Objetivo: Validar hipóteses de soluções, coletar feedbacks e analisar o processo como um todo, identifiando possíveis gargalos ou restrições.

Como: Entregando a proposta de valor do produto ou startup manualmente e individualmente, sem volume e sem escala. 

Prós: Baixo investimento inicial. Geralmente o uso de soluções caseiras acaba sendo rápido e fácil de implantar e acompanhar. 

Contraponto: É preciso tomar o cuidado para não levar uma versão muito definitiva para os experimentos iniciais. Essa prática pode acabar escondendo bons feedbacks, gerando uma falsa sensação de validação. 

Para conhecer um exemplo, veja o case da startup Melhor Envio aqui.

2. MVP Mágico de Oz

O MVP Mágico de Oz realiza a oferta do produto sem possuir suas funções programadas e automatizadas. Ele possui a aparência de um produto digital automático, entretanto, as funções são realizadas manualmente, por pessoas “por trás das cortinas”. Assim como o MVP Concierge, a realização das tarefa de forma manual impossibilita que o negócio escale. 

A grande diferença entre o MVP Mágico de Oz e o MVP Concierge está na apresentação. O Mágico de Oz necessita de uma interface funcional (seja ela de um aplicativo ou site) para a utilização do usuário, o que não é obrigatório no Concierge. Neste último, praticamente não há custos com desenvolvimento e programação.

A EasyTaxi é um excelente exemplo de startup que se lançou no mercado através de um MVP Mágico de Oz. 

Outro exemplo é o 99formulas, que nasceu através da validação de diversos protótipos (como o primeiro protótipo, que se chamava Minha Pilula), até que a startup fosse lançada. 

Resumo do MVP Mágico de Oz

Objetivo: Validar hipóteses de soluções, coletar feedbacks e analisar o processo como um todo e possíveis gargalos ou restrições.

Como: Pode ser via uma landing page, ou mesmo de um protótipo funcional que simula a experiência da startup ou do produto final, não existe muita automação ou na maioria dos casos nenhuma automação.

Prós: Apesar de usar algum nível de tecnologia para que o protótipo ou landing page seja desenvolvido, o investimento continua sendo baixo se comparado com o desenvolvimento de uma plataforma completa. Também é possível acompanhar outros indicadores, pois parte do processo de experimentação do MVP é rastreável e mensurável.

Contra ponto: Tomar cuidado com falsos positivos e achar que tudo está resolvido, muitas vezes os primeiros indícios de validação são muito positivos, mas isso não significa que você tirou o bilhete sorteado da loteria. 

Para ler outro exemplo, leia o case da startup Bit Boleto aqui.

3. MVP Duplo

O MVP Duplo consiste na realização de um teste A/B. Através do desenvolvimento de dois formatos distintos para o produto, é possível coletar dados referentes a performance, experiência do usuário, etc. Assim, pode-se analisar qual dos exemplares tem melhor desempenho no mercado.

Para que a análise seja consistente, é importante ter um bom parâmetro sobre quais elementos nas versões incrementaram ou prejudicaram sua performance. Por isso, não se deve testar mais de um item por vez. 

O MVP Duplo demanda um maior investimento por parte dos empreendedores. Entretanto, apesar de ter custos mais elevados em relação a outros modelos, o MVP Duplo traz um maior retorno quanto a resultados, feedbacks e insights.

Resumo MVP Duplo

Objetivo: Validar hipóteses de soluções, coletar feedbacks e analisar o processo como um todo, identificando possíveis gargalos ou restrições entre duas hipóteses de produto pré-definidas.

Como: Pode ser via uma landing page, ou mesmo de um protótipo funcional que simula a experiência da startup ou do produto final.

Prós: Ser capaz de mensurar numericamente a experiência do usuário, taxas de conversão, assim como as vendas.

Contraponto: Novamente, é preciso tomar cuidado com os números “bons”. Não é só porque a taxa de conversão está alta que tudo já está validado! Entenda e analise as causas e consequências para os números. Tenha também uma base minimamente consistente para analisar, pois bases pequenas costumam distorcer os números finais. 

4. MVP Single Feature 

O MVP Single Feature, ou “recurso único”, é constituído no desenvolvimento do recurso básico do produto. Assim, é possível lançar no mercado apenas a função principal da proposta de valor, de maneira a testá-la junto aos usuários.

Apesar do nome, o MVP Single Feature não implica necessariamente no desenvolvimento de apenas um único recurso. A proposta central desse modelo é focar na melhor apresentação possível de um recurso específico. Assim, o desenvolvimento do seu produto se dará em torno desse recurso.

O melhor exemplo do MVP Single Feature é o Google. Desde seu lançamento, a empresa desenvolveu diversos produtos e serviços a partir de sua funcionalidade original como buscador.

Resumo MVP Single Feature

Objetivo: Validar uma hipótese principal.

Como: Pode ser via uma landing page, ou mesmo de um protótipo funcional que simula a experiência da startup ou do produto final.

Prós: Mensurar com números a experiência do usuário de forma centrada em uma principal hipótese com rapidez, baixo custo e qualidade já que todo recurso será direcionado para uma funcionalidade assertiva.

Contraponto: Se você está numa fase exploratória da sua tese, esse modelo não é muito recomendável, pois você precisa ter uma hipótese melhor estruturada e bases mais sólidas de informação.

5. MVP Fumaça

MVP Fumaça tem o objetivo divulgar a proposta de valor para avaliar ou gerar o interesse de potenciais clientes. A divulgação ocorre através de uma demonstração do produto ou serviço – que pode ou não estar em fase de desenvolvimento. 

Para realizar a demonstração, é necessário um canal de marketing, podendo ser uma campanha de anúncios, uma landing page, vídeos, listas de e-mail ou até mesmo grupos de WhatsApp. Dessa maneira, é possível mensurar o interesse dos consumidores através das métricas geradas nesses canais.

Outra vantagem do MVP Fumaça é o melhor entendimento do público através das informações obtidas. Assim, é possível desenvolver uma solução que atenda de forma mais assertiva às necessidades do mercado.

Apesar de ser um MVP de baixo custo e lançamento rápido, o MVP Fumaça tem interação limitada. Por apresentar apenas o conceito do produto, não é possível testar a sua usabilidade junto ao usuário. 

O Dropbox validou sua proposta de valor através de um vídeo, sendo considerado um bom exemplo da utilização do MVP Fumaça. 

Resumo MVP Fumaça

Objetivo: Validar a demanda ou interesse ou pelo buscar indícios de demanda.

Como: Campanhas de divulgação do produto ou da landing page do produto. 

Prós: Rápido, baixo custo e de mensurar os resultados.

Contraponto: precisa de uma campanha de marketing e divulgação mínima, senão você não conseguir mensurar a demanda de forma assertiva.


Concluindo…

Em qualquer modelo de prototipação é muito importante que você desconstrua a ideia inicial e colocar à prova suas hipóteses. Não adianta somente forçar o modelo para provar suas hipóteses!

É na prototipação que você deve fazer o máximo para estressar o modelo. Assim, você vai achar as “fissuras” no projeto que não estão aparentes. Se o protótipo “sobreviver”, significa que você tem bons indícios para continuar.

Para movimentar as ideias e hipóteses adiante, é interessante combinar as diversas técnicas de MVP para obter insights de diferentes origens. Nem sempre é possível por uma questão de tempo e acesso aos recursos financeiros – mas faça, se conseguir.

Além de um MVP é interessante a validação do negócio em si, através da combinação de um MVB (Minimum Viable Business), pode a acontecer de um produto ser viável e até ter demanda mas a conta não fechar como negócio, é para isso que serve um MVB. 

Tenha em mente que as técnicas aqui apresentadas tratam de um processo de experimentação de aprendizado e não de rápido, e não de tentativa e erro.

A metodologia lean startup propõe diversas mudanças em relação ao modelo tradicional de negócios. Para entender as principais diferenças entre ambos, clique aqui .