Diante do contexto da Nova Economia, surgiram novas modelos de gestão de negócios. A metodologia Lean Startup, a Startup Enxuta, tem dominado o mundo empreendedor por sua eficiência. Conheça as 6 diferenças fundamentais entre o Lean Startup e o modelo tradicional de negócios.

A Nova Economia, marcada pela Revolução Digital, é fundamentada nos serviços prestados através de sistemas tecnológicos. Diante do fenômeno da globalização, a sobrevivência de um negócio depende da busca por novos mercados unida de redução constante de custos.

A metodologia Lean Startup, conhecida também como startup enxuta, foi criada por Eric Ries em seu livro The Lean Startup, onde propõe uma abordagem ágil e eficiente no desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Como funciona o lean startup?

Através da inovação contínua, a metodologia do lean startup, ou startup enxuta, tem como premissa o ciclo contínuo do construir-medir-aprender. A cada ciclo de aprendizado, é criado um MVP (produto mínimo viável), que é rapidamente testado junto aos clientes. Através dos feedbacks recebidos, são realizadas alterações no produto para adequá-lo às necessidades do consumidor final. 

O lean startup  possui diferenças marcantes em relação ao modelo tradicional de negócios. Nesse post, nós reunimos as 6 principais diferenças para que você entenda qual o melhor modelo para o seu negócio. 

Boa leitura! 

6 diferenças fundamentais entre o Lean Startup e o Modelo Tradicional

1. Estratégia de Planejamento: Plano de Negócios vs Modelo de Negócios.

Na economia tradicional, o planejamento da empresa é realizado através do plano de negócios (Business Plan). É um documento formal que contém o detalhamento de custos, ações, expectativas, etc. para um determinado período de tempo. 

Assim, é um guia que orientará toda a empresa na execução de ações e metas em determinado período. O plano de negócios geralmente apresentar certezas baseadas em aprendizados adquiridos anteriormente no histórico da empresa ou dos produtos. Dessa maneira, é um formato consagrado para gerir negócios inseridos em contextos com baixo nível de incerteza e inovação

Por outro lado, o contexto de empreendedores e profissionais que trabalham com inovação e startups tem altíssimo nível de incerteza e riscos. Como lidar com esse cenário?

O lean startup parte desse princípio. Para diminuir as incertezas e riscos de um lançamento frustrado, os produtos ou novos negócios precisam ser experimentados como forma de aprendizado. Entretanto, é importante lembrar que o lançamento de uma startup, novo negócio ou produto é bastante complexo, tendo várias frentes de trabalho.

Existem várias metodologias que abordam este tema direta ou indiretamente, tais como: canvas de modelo de negócios e o Value Proposition Design. O  Canvas reúne visualmente os principais pilares da empresa ou produto: proposta de valor, relacionamento com o cliente, segmento, receitas, recursos e etc. 

A metodologia do modelo de negócios possibilita alterações diante da necessidade de adaptação rápida, tendo uma execução mais assertiva. Isso ocorre pois o cenário inicial desenhado pode mudar rapidamente. Assim, é necessário que você seja bastante ágil para redirecionar o modelo de negócios ou produto segundo a necessidade de adaptação.

2. Princípios de atuação: ciclo de aprendizagem x execução do plano de negócios

O lean startup tem como característica primordial o já citado ciclo da aprendizagem (construir-medir-aprender). Conforme são testados diferentes MVPs, os erros e acertos promovem aprendizados que permitem a descoberta de novas hipóteses para o negócio. A partir delas, serão realizados novos experimentos junto aos usuários. 

No modelo tradicional, o princípio de atuação das empresas é pautado nas estratégias definidas no plano de negócios. Assim, as mesmas são revisadas a cada período de tempo pré-definido, como a cada semestre ou trimestre. O foco está na execução do plano, tendo baixa margem de manobra para alterar o planejamento.

3. Produto: Co-criação junto a clientes x Gestão de produtos convencional

Segundo os princípios da startup enxuta, não é possível prever todas as dores e o comportamento do consumidor final. Por isso, o desenvolvimento dos produtos é realizado junto ao cliente e/ou usuário, utilizando os feedbacks (formais e informais) para alimentar a teia de informações sobre o mercado. Dessa forma ,a filosofia lean parte de um eterno desenvolvimento, sendo uma busca constante por novas versões.

Assim, o produto é modificado de forma incremental até atingir melhores resultados. Além disso, caso as hipóteses testadas não sejam validadas, o empreendedor pode transformar – ou até pivotar – o seu projeto. O importante, dessa forma, é ser ágil para aprender rapidamente através da versão do produto que está no ar.

Enquanto isso, no modelo tradicional, a gestão do produtos ocorre segundo o planejamento do plano de negócios e roll-out do desenvolvimento de produto buscando antever as necessidades do cliente. Assim, há um longo período de preparação do produto antes de seu lançamento no mercado. Em caso de insucesso, todo o planejamento é reiniciado.

4. Dinâmica de Equipe: Integração de time x Lógica departamental 

Dentro do modelo do lean startup, todos os colaboradores contribuem no desenvolvimento do produto e do negócio em si. As equipes de diferentes áreas interagem de forma conjunta e alinhada para que se atinjam os melhores resultados. Assim, as contratações são voltadas a pessoas que tenham habilidade de aprender rapidamente e consigam explorar vários aspectos dos problemas. A sincronicidade é fundamental, pois cada membro da equipe está conectado ao outro.

Tradicionalmente, os negócios funcionam segundo a lógica departamental. Cada área atua de forma centralizada dentro de seu escopo de trabalho, havendo funções específicas para cada uma. Pode haver alinhamento entre os departamentos, mas suas atividades são realizadas de forma independente. Aqui, o foco das contratações são indivíduos experientes.

5. Valores internos: Resiliência e adaptação x Lógica punitivista

Dentro da mentalidade da startup enxuta, o erro e o fracasso fazem parte do ciclo de aprendizado. A cada falha, o produto pode ser adaptado para melhor se adequar às necessidades do cliente. Dessa forma, a viabilidade do produto se dará com a somatória de acertos. 

As equipes, portanto, tendem a assumir riscos mais altos, pois não evitam a falha – assim, a falha poderá ser parte do processo. Com isso, o principal valor desse modelo é a resiliência, que possibilita a rápida adaptação diante de cenários controversos. 

Já no modelo tradicional, o erro e as falhas não estão previstos, muito pelo contrário:são evitados a todo custo. Você já viu algum business plan sendo apresentado com falhas? Por isso, a organização pode adotar uma postura punitivista em relação aos responsáveis pelo equívoco. Essa postura pode se expressar através de advertências verbais ou burocráticas, podendo chegar até a demissão do responsável.

6. Timing de desenvolvimento: Ágil x Periódico

O modelo do lean startup atualiza-se constantemente com dados e informações sobre os resultados de seus experimentos e testes. Dessa forma, o timing de desenvolvimento do produto ou serviço é muito mais rápido que no modelo tradicional, onde as alterações no planejamento do negócio ocorrem de maneira periódica, segundo o levantamento de dados completos num determinado período de tempo. 

Além disso, de maneira geral, negócios que se utilizam do lean startup trabalham utilizando outras metodologias de exploração e ágeis, como o Design Thinking e o Agile


No lean startup, as incertezas de um novo produto ou negócio são parte do processo. De início, tudo que se tem são boas hipóteses, então a melhor maneira de validar uma ideia é colocá-la a prova o mais rápido possível. Com isso, além de reduzir o tempo demandado para o planejamento, o desenvolvimento do produto ocorre de forma incremental, ágil e eficiente.